quinta-feira, 9 de junho de 2011

Viola Machete, honra para o samba chula e para São Francisco do Conde



O machete é um tipo de viola de 10 cordas, dispostas no corpo do instrumento em 5 duplas de cordas, tal como as violas conhecidas em todo o Brasil como “violas caipiras”. Possui tamanho bem menor e timbre bem mais agudo e “brilhante” do que o violão, p. ex. Estes instrumentos de origem portuguesa chegaram ao Brasil durante o período colonial e logo se disseminaram pelo país, vindos a se tornar um dos instrumentos de cordas mais utilizados na música brasileira. O machete foi assimilado também pelos africanos trazidos para a região do Recôncavo Baiano, e acabou sendo incorporado às suas tradições musicais de modo tão peculiar que pode-se dizer que estes “africanizaram” a antiga maneira “portuguesa” de tocar a viola. Uma das tradições musicais em que o machete tem importância fundamental é no Samba de Viola e no Samba Chula.

São Francisco do Conde pode afirmar isso bem de perto, tem um dos mais sábios tocadores de viola machete do Recôncavo, que já não se faz mais presente, Sr José Vitório dos Reis, mais conhecido como Zé de Lelinha e ex-membro do Grupo Samba Chula Os Filhos da Pitangueira, Zé de Lelinha se dedicou também ao ensino do instrumento,formando diversos jovens na arte de tocar machete, e a prioridade de se manter essa tradição.

O Trabalho que desenvolveu possibilitou resgatar a prática do instrumento na Região, contribuindo para o ressurgimento de novos artesãos e tocadores, desenvolvendo ao samba da Bahia um dos elementos mais tradicionais e característicos do seu fazer: o machete.

Samba Chula Filhos da Pitangueira


Formado no ano de 1986 por Mestre Zeca Afonso, o grupo se dedica exclusivamente à prática do samba chula tradicional de São Francisco do Conde - BA, sendo um dos grupos mais antigos que existem na região, que valoriza principalmente o canto da chula e do relativo em duplas de cantadores e o toque e a viola machete, instrumento tradicional do recôncavo e quase extinto. O grupo faz questão de pregar a tradição que reza que somente mulheres podem entrar na roda para sambar – uma de cada vez durante as partes instrumentais que intercalam com os versos cantados pelos homens.

Em tempo: o samba de roda do Recôncavo Baiano é reconhecido hoje como Obra-prima do Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

A dádiva de sambar com os pés no chão


A quem diga que sambar com os pés no chão não é uma arte. È uma frase pra se discordar. Aliás, para entra no ritmo do samba do recôncavo tem sim, que saber com os pés no chão. Pois não é somente uma dança deixa por escravos, é um ritmo cultural de representar o que os povos africanos coisas deixaram como herança, assim como várias para demonstrar através do gingado do corpo.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Um Recôncavo de riquezas culturais e históricas

São Francisco do Conde é hoje uma das cidades mais ricas da Bahia. Mais quando falamos em riquezas logo pensamos em questões financeiras, também. Mais não é desse tipo de riqueza que estou falando. É uma riqueza cultural passada de geração para geração, com conceitos africanos embora atualmente esteja se tornando cada vez mais complicado manter essa regra. Mais no município patrimônios culturais e históricos sempre foram conservados, como a chula, que nasceu como cantoria de trabalhadores rurais e tem presença marcante nas regiões de São Francisco do Conde e Santo Amaro.